segunda-feira, 4 de março de 2019

Inyanga - Gangrel


A que se transforma em leopardo sem usar metamorfose


Inyanga

    Muito antes dos europeus descobrirem o rio Unvunyana, ou mesmo terem colocado os pés em qualquer parte do sul da África, Inyanga vivia entre as pessoas que posteriormente seriam o povo zulu. Seu nome era um título de respeito, que levava o medo ao coração de muitos. Inyanga, assim como todas as Inyanga que vieram antes dela, era capaz de falar com os espíritos, predizer o futuro, usar ervas para matar ou curar, e servia como uma ponte entre seu povo e Emagudu, a Terra dos Mortos. Ela se tornou conhecida por suas habilidades como xamã, e durante os anos muitos vieram até ela em busca de ajuda e aconselhamento. Ela já não era jovem quando um novo tipo de morte começou a espreitar seu povo.
    O povo de sua tribo considerava Emagudu não como uma pós vida metafísica, mas sim como um lugar real, ainda mais sombrio e terrível do que qualquer selva. Numa noite escura, a morte veio nas asas de um morcego e nas patas de um lobo. Emagudu veio até seu povo, ao invés do seu povo ir até ele. E Emagudu começou a devorá-los.
    Dentro de um mês, 10 haviam morrido, seus pescoços haviam sido rasgados e seus corpos tiveram o sangue drenado. Doze dos guerreiros mais fortes da tribo, armados com lanças e escudos, adentraram Emagudu para uma batalha. Apenas dois retornaram. Quando recuperaram a capacidade de falar, contaram uma história terrível de um pálido Esemkofu, que acompanhado de uma horda de chacais, atacou os guerreiros quando estes haviam acampado para a noite, matando 10 deles numa dança de presas e garras. Eles disseram que a única esperança era conseguir fugir – a tribo precisava encontrar um novo lar. Conforme seu povo se preparava para deixar suas terras natais, Inyanga fez preparativos para enfrentar o que quer que tivesse invadido seu domínio. Ela se preparou para uma batalha até a morte. Levando suas ervas e totens mais poderosos, adentrou Emagudu e sentou no lugar onde os corpos  dos guerreiros já em decomposição ainda jaziam.
    Pouco depois da lua ter atingido seu zênite no céu de verão, Inyanga viu pela primeira vez o Espírito da Morte. Ele não era o que ela imaginava que um Esemkofu seria. Ele tinha a forma de um homem baixo, com uma matiz cinza avermelhado em sua pele e cabelos lisos amarronzados de comprimento até o queixo, vestindo apenas uma tanga bordada e um sorriso sinistro. Ele se comunicou com ela numa língua estranha e andou em sua direção, gargalhando. Quando chegou a uma distância de 3 passos de onde ela estava, Inyanga jogou um punhado de ervas esmagadas para o alto. O Esemkofu se horrorizou quando viu diante de si não uma mulher de meia idade, mas sim um leopardo adulto pronto para saltar. Inyanga , por sua vez, ficou surpresa com a velocidade na qual ele reagiu a seu ataque, e com as garras que apareceram em suas mãos. Embora seu salto o tenha jogado no chão, ele foi capaz de rolar e se levantar.
    A batalha prosseguiu sem pausas. Inyanga atacou com toda velocidade e força do mais poderoso caçador natural da África, e o Esemkofu respondeu com seus poderes sobrenaturais. Inicialmente a batalha parecia estar favorecendo Inyanga, mas o Esemkofu ficava cada vez mais forte.
Ferido até o ponto de não poder ser mais reconhecido, ele ainda foi capaz de lançar Inyanga contra uma árvore, trincando sua coluna dorsal. Ela reverteu para a forma humana e se preparou para a morte ao ser mordida no pescoço.
    Contudo, antes da morte chegar, ele cortou seu próprio pulso com suas garras e forçou Inyanga a beber o sangue. Conforme o líquido ardente começava a queimar por seu corpo, ela ouviu as palavras dele em sua mente, do mesmo modo que sempre ouvia as vozes dos espíritos dos animais.
As palavras que passaram pela agonia, êxtase e o esbofeteamento da vida em seu corpo eram uma mistura de ódio e temor.

“O que é você, bruxa? Não é uma dessas malditas feras metamórficas, porque se fosse eu saberia há muito tempo. O QUE É VOCÊ?”

    Os ferimentos de Inyanga a sobrepujaram antes que pudesse responder. Ela perdeu a consciência.
Durante os próximos e muitos dias, Inyanga e o Esemkofu – que chamava a si mesmo de Egípcio – recuperaram suas forças ao se alimentarem dos corpos dos guerreiros caídos. Ele a contou sobre sua nova condição, e a mostrou como dormir no seio da terra. Em retorno, ela o contou a respeito dos segredos da Terra dos Mortos na qual ele havia feito seu lar. Com o passar de uma semana havia pouco que poderiam dizer um para o outro.
   Finalmente ele deixou Inyanga na clareira, mas retornou antes do nascer do sol em frenesi, ultrajado que seu “rebanho” – a tribo de Inyanga – havia abandonado o pasto. Entretanto, desta vez ela estava preparada – não com ervas, mas com uma lança que pertecera a um dos guerreiros mortos. Com toda sua força ela cravou a lança e atravessou o coração negro do Egípcio; a força de sua investida o deixou no meio da lança. Inyanga permaneceu sobre o solo pelo tempo que foi capaz, ocultando-se na sombra de uma árvore, descendo para dormir na terra apenas depois de ter visto seu senhor começar a escurecer e queimar na luz do sol nascente
   Durante o milênio seguinte ela viajou por toda a África. Inicialmente ela só se alimentava de animais, mas depois, conforme a fome se tornou muito forte, passou a se alimentar também de humanos. Ela tentava se limitar aos que considerava maus – assassinos e bandidos, e todos aqueles que atacavam mulheres. Ela também tentava policiar os de sua própria espécie que matavam deliberada e indiscriminadamente. Numa batalha em 1537 contra um malkaviano português de 6ª geração que se alimentava apenas de bebês, Inyanga foi terrivelmente ferida. Caçada pela progênie do malkaviano, ela decidiu dormir sob o olhar vigilante de um servo fiel num navio de escravos cujo destino era o novo mundo.
    Foram necessários mais de dois séculos de sono para se recuperar dos ferimentos. Ao se levantar do torpor em Baltimore, a fome a levou a um frenesi que matou os descendentes de seu servo fiel, os quais a guardavam em seu sono. Ela recuperou o controle sobre a besta no momento que a vida abandonava o último dos descendentes – uma avó de 90 anos. Inyanga saiu da cidade e lentamente viajou pelos Estados Unidos. Ela alcançou Chicago em 1852, quando ainda era a periferia da civilização e estava apenas começando a subir de importância. Naquele tempo era uma cidade muito distante da influência dos Antigos da Europa, e estava criando seu próprio sistema de governo. Chicago tem sido seu lar desde então.
    Inyanga foi um dos primeiros primógenos a chegar em Chicago. Embora não seja mais uma cidade de ponta, nenhum dos lugares onde ela desejaria viver o são. Ela não tem desejo de retornar para as trágicas memória da África, mas ainda viaja bastante. Na verdade, ela passa a maior parte do tempo viajando pelas Américas do que residindo em Chicago. Ela quase sempre viaja a pé, dormindo no solo durante o dia. Ela tem uma notável perícia para estar na cidade em momentos importantes, e fora dela em momentos de perigo.
    Inyanga perdeu a maior parte de sua suavidade humana no último milênio. A necessidade de se alimentar dos mortos de sua própria tribo, e depois de outros humanos, combinado ao seu despertar em frenesi em Baltimore, a separou ainda mais dos mortais. Contudo, ela ainda se considera uma defensora dos mortais – tal como era em vida – e personagens que sejam muitos selvagens em seus hábitos de alimentação podem eventualmente ter que responder a ela. Ela é especialmente implacável na defesa de mulheres.
    Desde que despertou, Inyanga percebeu a Camarilla como sendo muito mais sutil do que era na época onde travou sua batalha com o malkaviano. Embora não goste de toda a premissa desta organização europeia, ela é uma das principais apoiadoras da Máscara em Chicago e fará o que for preciso para aplicá-la. Ela assim faz mais por piedade dos mortais do que por medo a respeito de sua própria existência.
  Inyanga retém algumas habilidades únicas, oriundas de seus dias como protetora tribal. Provavelmente a que considera mais importante é sua forma de leopardo. Esta forma não é um efeito de sua disciplina Metamorfose, e quando está nesta forma ainda é capaz de usar todas suas disciplinas e habilidades. Entretanto, é necessário um dia inteiro de preparação física e mental para realizar a transformação, e as ervas necessárias são extremamente raras. Outras habilidades de seu passado incluem uma forma desenvolvida de auspícios que inclui precognição, e uma habilidade de se comunicar com os mortos.

Senhor: o Egípcio
Natureza: Cavalheiro
Comportamento: Juiz
Geração:
Abraço: 483 (nascida em 440)
Idade aparente: meados dos 40
Físicos: Força 6, Destreza 6, Vigor 7
Social: Carisma 3, Manipulação 4, Aparência 2
Mental: Percepção 7, Inteligência 5, Raciocínio 7
Talentos: Prontidão 7, Atletismo 5, Briga 5, Esquiva 5, Intimidação 4, Liderança 2
Habilidades: Empatia com animais 6,Herbalismo 6, Armas Brancas 2, Furtividade 5, Sobrevivência 6
Conhecimentos: Linguística 5, Medicina 5, Ocultismo 7
Disciplinas: Animalismo 5, Auspícios 6, Dominação 2, Fortitude 4, Necromancia 2, Metamorfose 6
Antecedentes: Status 6
Virtudes: Consciência 3, Autocontrole 3, Coragem 4
Humanidade :7
Força de Vontade: 9

Observações: Forma de Leopardo – todos os atributos físicos aumentam para 7. Esta forma fornece Rapidez nível 3. Inyanga pode usar todas as disciplinas exceto Metamorfose quando estiver transformada, e as garras do leopardo atuam como o poder de Metamorfose Garras do Lobo. Inyanga precisa passar várias horas se preparando para esta transformação. Ela poderia ensinar a qualquer um o poder de se transformar (embora as preparações adequadas, ervas e totens sejam sempre necessários), mas tal aprendizado seria um feito de anos para ser concluído.
    O sexto nível de Metamorfose de Inyanga a permite excretar uma substância adesiva que gruda em tudo que toca (com uma força efetiva de 8). A substância adesiva pode ser exalada de qualquer parte de seu corpo.
   Seu nível extra de Auspícios a permite ter limitados poderes precognitivos, e sua disciplina Necromancia a permite convocar o espírito dos mortos.
Imagem: quando na forma humana, na qual ela usualmente está, Inyanga tem a aparência de uma mulher de meia idade com pele extremamente escura e enrugada. Ela usa o cabelo arrumado no alto de sua cabeça e geralmente usa vestidos folgados com adornos de jóias antigas e feitas a mão. Ela quase sempre anda descalça, mesmo no inverno.
Dicas de interpretação: Fale com determinação e convicção sobre quase tudo. Olhe para as pessoas por um bom tempo antes de falar, e fale suave, lenta e deliberadamente.
Refúgio: ela não tem refúgio, preferindo dormir no solo dos vários estacionamentos de Chicago. Ela gosta especialmente de Graceland (o cemitério).

Fonte: Chicago by night: págs 84 a 86

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