domingo, 2 de fevereiro de 2014

Jogo de Rpg


Estava eu cá pensando com meus botões sobre algumas aventuras de RPG que existem por aí, sobretudo em algumas mesas que andei visitando pessoalmente. Não sei se é  porque qt mais o tempo passa, mais old school e anacrônico meu me sinto, ou se realmente as mesas de rpg estão cada vez mais perdendo o rumo do velho e bom modo de jogar rpg.

Acho que dá pra fazer um paralelo de roupa com personalidade. Uma pessoa bem vestida e fútil, comparada com outra de trajes simples, mas com profundidade de caráter. Claro que o ideal é qd estes fatores andam conjugados.

Você já parou pra pensar na enorme quantidade e diversidade de poderes que seu personagem (ou npcs) pode ter? Claro que sim.
Já imaginou pedir pro narrador aquela rara metadiciplina ou dom daquele tal suplemento? Alguma vez almejou algum cargo político na Camarilla ou vencer aquele desafio pra passar de posto? Certamente sim, porque a parte “externa” e ações do seu personagem é bem fácil de se trabalhar.

Mas quantos de vocês já pararam pra pensar na parte interna? Quantos de vocês imbuem o personagem de pensamento e personalidade ao invés de apenas deixá-lo como um construto feito de papel e bolinhas?

Outro dia vi um cara falando (num tom como se fosse a coisa mais normal do mundo) que em jogo numa mesa de vampiro, precisou sacrificar sua filha pra um certo demônio que o narrador fez aparecer do nada, mas q acabou sendo “bom” porque ele ganhou uma espada que faz mt dano agravado e absorve não sei qt de dano e q assim ele poderia ferrar seus inimigos.
Acreditem, em nenhum momento ele pensou na TRAGÉDIA terrível que acabou de acontecer com o personagem dele: a morte de um familiar querido. Muito menos nas consequências e repercussões de tal desgaste emocional. Ele estava era muito feliz da vida de ter a tal espada.

Outro cara se gabava de seu personagem gangrel ancião com 90 (sim, você viu certo,  NO-VEN-TA) pontos de qualidades.

Pensando nestas coisas eu preciso dizer que os livros só servem para dar a roupagem, quem dá o conteúdo é você! Os trocentos livros e suplementos na verdade nada mais são do que um imeeeeenso guarda roupa, mas nenhuma roupa do mundo vai mudar quem você é por dentro. Se você é um idiota, por mais bela que seja a sua “roupa”, você continuará sendo um grande idiota e viverá de forma idiota.
Por outro lado uma pessoa com roupas comuns brilha ainda mais e desperta grande interesse qd sua personalidade possui profundidade.

A grande questão é q qualquer idiota pode abrir um guarda roupa e usar belas vestimentas, ficando com uma bela “roupagem”. Mas somente um jogador com profundidade consegue passar isto para o papel e construir um personagem com profundidade. Pessoas que não saem do facebook e que passam seus dias lendo capricho e ouvindo restart jamais chegarão no mínimo aceitável rsrsrs.

E o pior de tudo é que, quem enxerga em preto e branco acha muito chato quando alguém vem falar nessa coisa tediosa chamada “cor”. Quem não possui profundidade acha enfadonho quando alguém chama a atenção sobre um assunto aparentemente “supérfluo”.

Estou certo de que você aí que é um narrador old school está lembrando das  fichas toscas que recebeu e recebe. De como os personagens Toreador de hoje estão cada vez mais parecidos com um integrante do Restart.... se bem que eles SEMPRE foram assim... ok não foi um bom exemplo mas vocês entenderam o q eu quis dizer rsrsrsrs

No livro Tremere revisado por exemplo é dito que a maioria dos Tremere nunca chega ao cargo de regente, e se limitam a aprendizes de sétimo círculo. E que apenas depois de cargo de regência (e regente em círculos mais avançados) é que o Tremere começa a se relacionar mais abrangentemente com os outros membros de seu clan, passa a conhecer e ser conhecido por mais gente etc e tal. Ainda assim a regência requer tanta atenção e responsabilidade que não é possível ficar saracoteando por aí como um playboy que não tem o que fazer da vida. É claro que todo regente possui sua vida pessoal, mas esta precisa se adequar ao cargo.
Ainda com este raciocínio, vamos aos números: se mantivermos a população oficial da Camarilla tida como de 1 vampiro para cada 100.000 humanos, teríamos por volta de 70.000 cainitas no mundo. Dividindo este número pelos 13 clans ficaríamos com uns 5.000 vampiros por clan no mundo.

Ok, digamos que existam 5 mil Tremeres no mundo. Este número não é o suficiente sequer para colocar um único Tremere por município do Brasil. Se decidirmos dividir a nível global ficaríamos com apenas míseros 26 tremeres por país.

Ou seja, a existência cainita (e também vale para os demais sobrenaturais) é absurdamente rara, solitária. Tudo isso tem forte impacto na mente de todo e qualquer personagem.
Eu me assusto qd vejo jogos com 150 vampiros numa cidade, infestada por 90 lobisomens e 70 magos  batalhando contra 100 múmias e 300 demônios numa luta épica para salvar o dia. Aliás é quase impossível achar um jogo que não siga este M.O. nos dias de hoje.

Dito isso eu queria fazer uma pequena observação. Onde foi parar aquele antigo jogo de rpg onde você interpretava um personagem pleno, com motivações, metas, medos e receios? Jogos onde o narrador centrava o enredo na vida de seus personagens e naquilo que lhes é importante: seus trabalhos, seus amores perdidos, suas vitórias e derrotas, suas alegrias e infelicidades?
O jogo se tornou apenas um “nós contra eles” aonde não se pode desenvolver a complexidade interna do personagem.

Aonde foram parar os jogadores que gostavam de interpretar personagens, e não máquinas de matar ou de fazer dano?

Seriam os narradores que estão perdendo a mão, ou as pessoas q no geral andam ficando mais superficiais? Pense nisso!

A raridade das coisas é q as torna importantes. Mesas e mais mesas com trocentos zilhões de poderes e um carnaval de seres sobrenaturais estão tirando a graça de se jogar o verdadeiro rpg storyteller

Haverá o tempo onde o prelúdio dos personagens se resumirá a uma única frase:

"Oi, eu sou Goku."

3 comentários:

Bruno disse...

Você é gênio, amigo!

Na verdade até tá difícil achar mesa de vampiro pra mestrar, todos querem só a porrada, acho que a falta de qualidade está nos jogadores que não aguentam interpretar cenas que não sejam de briga.

Não deixe de fazer posts... é aqui que se encontra o verdadeiro vampire the masquerade.

Gostei das palavras sinceras!!

Anônimo disse...

Excelente texto, remete exatamente o que está acontecendo na House da minha cidade.

Os novos jogadores buscam mais "ficar fodões" do que desenvolver a própria história do personagem, diversas vezes o jogo torna-se chato e parece mais que eu estou em uma mesa de um RPG de Super Heróis, do que em uma mesa de Vampiro.

André Luiz dos Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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