domingo, 30 de outubro de 2011

Paris, Blancheur et Noirceur


Olá pessoal,

Uns minutinhos atrás eu estava conversando via skype com a Gullveig, a gran-narradora da crônica online de Vampiro a Máscara “Paris, Blancheur et Noirceur” (cujo link você encontra na coluna esquerda aqui no blog). Na realidade foi meio que uma “entrevista” onde eu pude matar um pouco da minha curiosidade sobre a metodologia organizacional aplicada nesta crônica de sucesso que já dura 5 anos (de tempo no mundo real) e aonde diversos cenários convivem em harmonia (ou em guerra harmônica rsrs).
Paris, Blancheur et Noirceur é uma crônica peculiar, onde cenários como vampiro, lobisomem, fada, mago, demônio, múmia, aparição e talvez mais alguma coisa que eu não me lembre agora conseguem realizar a façanha de coexistir sem explodir todo o jogo e levando todo mundo junto com ele, tal como acontece na maioria das mesas que tentam aplicar crossovers, ainda mais um crossover múltiplo. E tudo isso com MUITOS jogadores, pelo que eu vi o número variou de 20 a 90 personagens de jogador.
Sendo assim eu resolvi perguntar qual era o segredo, qual era a fórmula mágica para manter sob controle uma mistura tão absurdamente explosiva. A meta era aprender a resposta do enigma e passar para vocês narradores, para que possam aplicar em seus projetos aquilo que deu certo em Paris. Infelizmente essa interação e troca de informações entre narradores dificilmente avança, mesmo com as facilidades da internet. Espero então que este post seja de bastante ajuda para quem estiver com projetos semelhantes em mente. Bom, vamos ao que interessa...
Em Paris há mais de um narrador, atualmente são 2 mas já houve 6. Cada narrador se encarrega de partes bem definidas do caminhar dos eventos, e eu vou entrar em mais detalhes sobre isso mais pra frente neste post. No momento, um se encarrega dos npc mocinhos e outro dos npcs vilões. Embora num aspecto mais amplo tudo seja acertado entre ambos de comum acordo, não há guerra entre narradores.
Tudo é muito bem organizado em arquivos estratégicos. E estes arquivos são divididos entre arquivos de Npcs e arquivos de players. Os arquivos de npcs ficam numa espécie de “cartório vampírico” com textos individuais contendo as informações sobre os tais npcs, bem como anotações a respeito de sua atuação etc e tal. Os arquivos de players ficam registrados através do Google Docs. Assim que um player é aceito na crônica de Paris, recebe o acesso a um doc do Google (pra quem não conhece é um “word” online compartilhado entre pessoas determinadas pelo criador do doc – geralmente as pessoas com acesso ao doc do jogador são apenas os narradores e o próprio player). Neste doc ele preenche seus dados pessoais (e-mail, tel essas coisas) e também as do personagem que pretende jogar. O jogador cria o prelúdio e preenche as bolinhas com a pontuação que já consta escrita nesse doc. Feito isso, os narradores avaliam a ficha e prelúdio, se tudo estiver ok, o player começa a jogar. Se não estiver ok, os narradores escrevem no doc o que ficou faltando para que a pessoa conserte e possa dar prosseguimento ao processo.
Quando a etapa acima é concluída, o jogador faz um perfil do orkut do seu personagem e entra na comunidade de orkut da crônica de Paris, onde joga normalmente nos devidos tópicos. Em situações onde os narradores precisam dizer algo q somente determinado personagem pode ouvir/saber, a informação é escrita apenas no doc do Google daquele personagem o qual só ele tem acesso. Assim a informação mesmo em segredo fica registrada e não se perde. Cada doc de jogador é visto pelo menos uma vez por dia por cada narrador, pois em Paris uma noite in game se passa a cada 48 horas off game. Quem joga lá sabe que o relógio não pára.
Ok, mas tudo isso é apenas “mecânico”. Acho q a dúvida real se dá na coexistência de cenários tão xenófobos como os de Storyteller. Sem falar na dificil questão de players que desaparecem ou que não postam, engessado vários outros jogadores que dependem da ação de determinado personagem para prosseguirem suas não-vidas. A resposta vem de uma regra estabelecida em Paris que muito lembra as do RPG “Paranóia”. Em paris, existe uma regra que diz que todos os jogadores precisam postar pelo menos uma vez a cada 3 dias para que os eventos possam fluir numa boa, ou ainda dentro deste prazo avisar que não irão poder postar por algum motivo. Os que desobedecem esta regra... subitamente ... MORREM Hahahaha!!!!! A narração atropela o personagem negligente para que o enredo não fique congelado. Fico agora me perguntando quem seria o player mais antigo do jogo? Queria virar pra ele e dizer: Tenha um bom dia cidadão rrsrsrsrrs. Numa primeira vista parece uma medida drástica, mas num jogo com tantos elementos explosivos atuando tão perto uns dos outros, medidas drásticas se fazem necessárias.
Uma coisa q me chamou a atenção foi a forma usada para divisão entre narradores. A cada narrador é atribuída uma certa quantidade de vagas de players e também de npcs, bem como um território específico na região. Assim sendo, apesar dos enredos se “tocarem”, não se confrontam muito gravemente. A narração já sabe que território x é de tal cenário e os demais narradores ajustam seus enredos de acordo, com revisões e reuniões frequentes de msn/skype para manter as engrenagem narrativas sempre em bom estado.
Apesar de toda esta explicação (que é bem superficial diante da longa conversa de skype que tivemos) eu ainda estava cético quanto à interação de cenários, uma vez que dificilmente Kemintiris e Margraves da vida iam conseguir conviver numa mesma cidade aonde npcs de mesmo peso de outros cenários estivessem presentes. É quase certo que a Kemintiri ia degolar todos os lobisomens só pro diversão rsrsrs. A Gullveig me disse que personagens npcs são equilibrados utilizando facções. Cada Npc de peso adere ou cria uma facção para disputar o controle de Paris.
É claro que para tudo isto dar certo não há como se apegar aos livros de forma xiita, é preciso muita maleabilidade no trato das informações contidas nos livros para que os cenários possam conviver e o jogo possa fluir de forma prazeirosa para todo mundo.

Agradecimentos a Gull pelas dicas

9 comentários:

Bruno G. Rodrigues disse...

Meu nome é Bruno e jogo atualmente em Paris. Estive presente na temporada, saí, estive um tempo fora e agora retornei, e posso dizer sem medo de errar de que esta crônica é a melhor do gênero que existe por aí. Isso devido à organização, à trama e aos narradores que são muito bons. Parabéns a Gull e sua equipe. Long live Paris, Blancheur et Noirceur!!!

Thiago disse...

Jogo em Paris já faz um ano e 4 meses, posso, com toda certeza, e apesar de muitas brigas e inconformismo no começo, dizer que é a melhor narração do gênero hj disponível. Os narradores são muito rígidos, mas estão abertos a ouvir as opiniões alheias, tudo é questão de jeito. Essa rigidez vem da disciplina que eles têm consigo mesmos ... São praticamente espartanos, ao ponto de garantir uma diversão e interação entre tantos jogadores e personagens das mais diversas personalidades.

Eu garanto e indico a qualquer um que queira saber como é RPG online via forum ou orkut ... vc pode irá estranhar no começo ... mas depois a diversão é garantida!!!

Pedro Ivo disse...

Meu nome é Pedro Ivo, joguei em Paris por muito tempo, e posso dizer que é sim uma cronica foda.
Muitas coisas fodas ja aconteceram e podem acontecer, quando noite começa você não sabe o que vai acontecer. Um Demonio louco por causa do aprisionamente no Abismo, pode chacinar mais de 5 mil pessoas em um local, você pode se ver diante de uma matilha "pica" de lupinos, ou se ver nas garras da Feiticeira do Tempo.
Amigo, ouçam meu conselho, quando entrar em Paris, prepare-se para esquecer as outras croniquinhas que você ja jogou.

Ass: S. L. MacGregor Mathers

Evaldo Gonçalves disse...

Acoda... olha eu aqui... to em Paris desde a primeira noite da crônica, em abril de 2007. Com o mesmo personagem. Já fui o mais amado... meus olhos azuis encantavam todo mundo. Ninguém queria me fazer nem cocegas. Agora já estou há um ano e meio que TODO mundo quer me matar. E ainda estou vivo.

New Vampiro Brasil disse...

Tenha um bom dia cidadão! hehehe

Rörek Thorvald disse...

Olá!!
Meu nome é Lorena, sou a mãe orgulhosa de um True Brujah chamado Rörek Thorvald,e de mais uma tropa ai. Adorei o artigo, porque chama a atençao para a singularidade de Paris, obra da Gullveigg.
Como eu sou provavelmente a pessoa que dá mais trabalho, agora o João (Ave, Narrador!)tambem controla o nórdico desvairado. Eu acho que o desenvolvimento tão bom da cronica se dá porque apesar das regras rígidas, há espaço para a criatividade e imaginação, fazendo de Paris mais que crônica, um verdadeiro romance em capítulos. Nós temos até uma rádio: Radio Asgaard, 99.9 FM...hehehe! A rádio do Rörek, onde, é claro, o espaço é 90% dedicado ao Heavy Metal.
Dá para visitar algumas cenas abertas, na comunidade de cenas especiais, pra ter uma ideia da inteligencia com que são divididos os espaços para os personagens.
Abraços!

Welton Pereira disse...

Bom, acho que sou um dos calouros da turma! Entrei há apenas alguns meses com um personagem, mas por motivos de força maior, retornei agora com outro personagem. Era o Toreador Dionísio e agora sou o Gangrel Icárian. Já havia jogado em outras comunidades também mas Paris me surpreendeu bastante. Os narradores sabem muito sobre os cenários e, o mais importante, sabem ser bons narradores e te envolver completamente na crônica (coisa rara!). Enfim, tiro meu chapéu para todos os jogadores e narradores de Paris!

M0ng3.HD5 disse...

Adorei o post! Deu uma pequena e, infelizmente, mas porem muito útil, iluminada nos alicerces mecânicos de P.B.N . Muitas técnicas e métodos serão usadas em futuras crônicas minhas, e acredito, como a de outros.

Túlio César disse...

Nao sou tãão idoso quanto o Ev, mas estamos ai desde a Terceira. Isto dá algum tempinho. A cronica fez com que realizasse algo que eu jamais esperava: sentir mais tesão jogando Vampiro que os demais cenarios (pois amo de paixão garous e magos). Mudanças de paradigmas são uma das coisas que podemos encontrar neste ambiente. Forte abraço

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