quinta-feira, 5 de maio de 2016

Colaboração RPG - DA: Vampire



Olá Pessoal!

No post logo anterior a este (para lê-lo clique aqui) eu propus um esquema de colaboração para uma mais eficiente produção de material de rpg. A ideia é unir a fome com a vontade de comer. Fazer do blog um local de encontro para quem deseja colaborar, ainda que de forma modesta.
Para isso, é de enorme importância que você aí que pode ajudar, participe, nem que seja simplesmente divulgando este post para seus amigos.

Com esta ideia em mente estarei divulgando partes do Dark Ages: Vampire, livro já 100% traduzido para que seja revisado port/ing e port/port - e também para ver se a ideia funciona.

Começaremos com a primeira parte "O Sacramento de Caim". Considerem isto como um test drive, conforme a resposta de vocês, estarei liberando outras partes. Se ninguém se interessar, paciência.

Deixem nos comentários os eventuais erros/enganos do texto para que eu os conserte.

Abraços e vamos que vamos!

Acodesh

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Um Sacramento de Caim


Vós que fostes reunidos nesta noite para ouvir minha pregação e compartilhar este sacramento, que viestes de domínios e campos de batalha vastos e distantes, não olheis para mim como um salvador. Como vós, sou apenas um dos Condenados.
Mas mesmo os Condenados podem orar por salvação. Eu trilho o Caminho do Paraíso em busca dessa salvação, e toda noite que eu controlo para permanecer sobre este Caminho constitui outro ato de penitência. Isso não redime a circunscrição dos Condenados? Se algo não foi moldado nas entranhas do pecado, então o que existe a se expiar?
Nós que andamos à noite e nos alimentamos dos viventes entendemos de pecado como ninguém, pois ele enfurece a escuridão dentro de nós. Nós denominamos este pecado perturbador a Besta, e ela dirige nossa espécie a assassinar, conquistar e guerrear. Muitos de vós tendes visto as guerras que assolam nossa espécie, tendes visto príncipes morto-vivos contenderem em nome de seus clãs, fé ou reis. Isto é a Besta em ação.
E a Besta está aqui, igualmente, neste sacro cálice. Aqui está sangue tomado de um homem e uma mulher viventes que iraram enormemente a Deus, para que Ele enviasse-os à frente de um monstro como eu. E a isso, eu adicionei uma gota de meu próprio sangue amaldiçoado. Portanto, nesse cálice está o pecado do homem vivente e do Condenado não-vivente.
Eu sou o Pai Anatole, e rogo que vós venhais à frente e comungueis deste cálice, pois é o repositório de tudo que tem nos condenado e de tudo que pode salvar-nos. Como a mim foi revelado pelo anjo e como eu transmito a vocês.
Bebais, e vos falarei de minhas visões.
A primeira visita do anjo ocorreu nas primeiras noites de minha danação. Como todos dentre nós, eu fui um homem vivente, descendente de Sete, respirando o rico ar e aquecendo-me ao Sol diário. Então, cerca de quarenta anos atrás, um monstro decidiu fazer de mim o que ele era. Um inconsciente instrumento dos grandes propósitos de Deus, ele drenou meu sangue vital e alimentou-me com uma pequena fração do seu próprio. Por aquela gota de vitae profano eu recebi um legado de dor, de pecado, de poder e de visão.
Dor, quando meu coração vivo parou seu pulsar, meus órgãos definharam e meus humores se expeliram em torturantes espasmos. Pecado, quando uma fome por mais sangue para se unir aquela gota agigantou-se em mim, levando-me a assassinar inocentes e culpados sem distinção. Poder, quando eu me afoguei em poderio demoníaco daquele sangue verdadeiro, fazendo-me tanto mais sedento por ele.
Visão veio somente na décima segunda noite, quando eu audaciosamente questionei Deus sobre por que ele me refez desta forma. Então o anjo veio e disse assim:

“Em um tempo anterior ao tempo,
Dois irmãos viveram,
Um lavrador, outro pastor.
Ambos conheciam Deus, e Deus olhou para baixo e conheceu-os.
E conheceu o que estava por vir. Esses dois foram chamados
Caim e Abel, nascidos de Adão e Eva.
Deus solicitou um sacrifício,
E Caim deu do sangue de seu irmão a Deus,
Ele levou o sangue de seu irmão semeando o solo,
E reunindo-se com seu criador acima, enquanto Caim trabalhava.
Sozinho agora, como Deus, o sangue de seu irmão em suas mãos,
Nosso Pai Sombrio entendeu, ele compreendeu Deus.
Mas Deus estava descontente: Morte foi sua providência, seu presente,
Caim não o recebeu, e então uma escuridão abateu-se sobre Caim.”

Ninguém pode compreender a Deus. Esse foi o pecado de Caim, nosso antepassado, e é o nosso igualmente. De Adão e Eva herdamos o pecado original, porém de Caim nos herdamos nossa Maldição. Essa foi a lição do anjo quando ele voltou novamente no dia após minha décima sétima noite. Ele disse assim:

“Na escuridão,
Deus falou assim:
Caim, tu que tens tomado meu presente, serás amaldiçoado por isso.
É abraço negado, por tanto tempo quanto o Sol queima em minha glória.
Estás exilado.
Banido por toda eternidade de minha luz,
Da raça de Adão e Eva.
E condenado ao sangue, orgulho e escuridão.
Agora vá, vá para palmilhar as terras desertas e saber que
Uma marca existe sobre ti.
E todas as minhas criaturas reconhecerão esta marca.
Eles irão evitar-te, temer-te-ão e nunca te darão
A paz que tanto desejas.
Agora vá, longe daqui, para a terra do nada – Nod.”

Como Caim, nosso Pai Sombrio, eu também vaguei pela terra do vazio que é a noite. Eu aprendi que os raios de sol queimavam minha fria carne, e temi. Mas ainda, eu vi o anjo de Deus duas vezes em minha existência condenada (eu não posso chamá-la vida, isso ficou para trás agora), e eu lutei desesperado com oração.
Viajando entre peregrinas rotas entregues ao vazio pela chegada da noite, através de cidades e mercados abandonados pelos viventes em favor de suas camas, eu procurei um caminho através da eternidade que se assenta antes de mim.
Venham, bebam novamente e ouçam mais adiantada revelação. Então, no segundo ano de minhas peregrinações, o anjo veio novamente. Ele disse assim:

“Quando o sol se pôs
Em Caim, sua sombra apressou-se em sair
Três anjos foram a Caim, e três vezes
Caim mandou-os embora.
E três vezes eles ecoaram a Maldição de Deus.
Caim caminhou sozinho até que chegou
A uma cabana, e nela, aguardava Lilith,
Ela, como ele, uma desterrada.
Entretanto, ela prendeu às trevas a si como um manto,
E ensinou Caim a fazer o mesmo,
Sabendo que isso desagradaria a Deus, enchendo-O de ciúmes.
Por três céleres noites, Caim não experimentou fome, nem dor.
Ele estava completo mas também amaldiçoado, e Lilith sabia disso.
Em tempo, eles partiram, jurando retornar
Em noites distantes para corrigir os erros
Que Deus fez visitar sobre eles.”

Como o anjo havia profetizado, eu também encontrei minha dama sombria e recebi conforto nela. Ela também usou sombras como um vestido da mais fina seda e brandiu a fome por sangue como um fino punhal. Por ela, eu aprendi que a Maldição poderia ser igualmente uma bênção, e comigo ela aprendeu novamente a orar. Ela entregou-me por medo, mas diferentemente de Caim, nosso Pai Sombrio, eu não desejo abandonar Deus por sua causa.
Separamo-nos após anos de viagem, e eu estava sozinho uma vez mais. Então, o anjo veio novamente e disse assim:

“Em um vale,
Caim chegou próximo a uma cidade
Onde as crianças de seu segundo irmão, Sete, viviam.
Á distância ele observou –
Escravizados pelas suas curtas, brutais vidas, cheios de dor
Mas também amor e luz.
Caim decidiu que havia chegado o tempo de interromper a peregrinação.
Nesse vale, ele construiu a mística Enoque – a Primeira Cidade.
Ali Caim não escondia sua marca, e comandava como um poderoso monarca,
E conheceu felicidade. Mas brevemente, a aflição retornou
Porque ele estava verdadeiramente, terrivelmente sozinho na cidade de Sete.
Ele esperava por Lilith, mas nada sabia sobre ela.
Em angústia e aguardo, ele cometeu um segundo pecado, conjurando-se às trevas para sempre.
Três foram escolhidos por Caim, e os três tornaram-se sua Progênie,
E a Segunda Geração nasceu.
E em tempo, os Três criaram a Terceira Geração. E além, e além, e além.
Entretanto Caim sabia o que tinha feito, e em sua mente, Lilith gritava.
E Caim pronunciou: “Um fim a isso, não mais”.
Mas era muito tarde, a Primeira Cidade abundava com sua raça e o céu abriu-se
E a chuva caiu. Deus havia feito seu segundo julgamento,
E Caim aventurou-se mais uma vez para as Ruínas,
Abandonando sua cidade e Prole para afundarem.”

Dessa quarta revelação, veio meu primeiro entendimento do plano de Deus. Caim, nosso Pai Sombrio, tinha pecado novamente por criar uma linhagem de sugadores-de-sangue Condenados dentre os quais me conto agora. Como tem sido sempre seu caminho, ele reagiu a seu pecado virando as costas a ele, abandonando sua própria prole para seu destino sombrio.
Eu não desejo fazer o mesmo. Simplesmente como eu tenho guiado minha sombria dama, eu desejo guiar outros para que vejam o papel de Deus em suas próprias existências amaldiçoadas. Meu caminho foi claro, e eu tomei-o com vigor, procurando fora aqueles que o trilharam antes de mim e tomando, no décimo terceiro ano de minha maldição, o hábito de um padre de nossa espécie.
De hábito e em sacerdócio, eu construí uma pura imagem entre as cortes e igrejas dos Cainitas. Eu ministrei os sacramentos e compartilhei minhas visões, como faço convosco agora. Mas ainda, o anjo ainda não havia terminado comigo. Ele voltou e disse assim:

“Somente Treze sobreviveram
Ao Grande Dilúvio, chamando a si mesmos Antediluvianos.
De Caim e dos Três nada foi sabido,
Suas pegadas apagadas pelas
Águas que cobriram a terra.
Em tempo, a Segunda Cidade nasceu, e a raça de Caim prosperou. Mas eles eram amaldiçoados.
Senhor destruiu cria, cria assassinou senhor e sangue escorreu na Segunda Cidade.
Nessa época, como tem sido desde então, Deus não destruiu a Segunda Cidade.
Essa foi a progênie de Caim, profetisa de sua própria destruição,
Que causaram o colapso da Segunda Cidade
E todos os Treze clãs dispersaram-se em êxodo.
Em sua jornada, os Treze cruzaram entre
As Crianças de Sete, que haviam construído impérios pelo mundo
Mais majestosos e poderosos que Enoque ou a Segunda Cidade.
Ali, nas cidades do ouro, as Crianças de Caim congregaram-se
Em grande número, ignorando Caim e Deus
E fizeram de si mesmos reis, rainhas e deuses.
E como reis, rainhas e deuses, os Treze
Contenderam e conspiraram contra cada outro,
Desconfiando de tudo e enchendo a noite com lágrimas e sangue.
Fora da visão de Caim lamentaram-se pela Guerra das Gerações,
A marca amaldiçoada de sua raça, havia começado.”

Com a quinta revelação, meu ministério mudou. Onde outrora eu havia advertido nossa espécie a não repetir os pecados de Caim, o Pai Sombrio que nos gerou, agora eu nos convocava a testificar a sabedoria de Caim, o Errante que encontrou a medida da sabedoria de Lilith após seu exílio. Isso foi em sua instituição na Primeira Cidade onde ele pecou novamente. Depois do Dilúvio, ele vagou outra vez e viu com novos olhos seus próprios pecados repetidos por sua progênie.
E nessa revelação, Caim convenceu um errante penitente e mostrou-me meu caminho.
Bebam uma última vez, meus irmãos e irmãs, e busqueis vossos próprios meios de penitência. Para aqueles que rejeitam a reparação de seus pecados, tanto antigos quanto recentes, que fluem em suas veias frias vão encontrar Caim novamente, como o Déspota Sombrio. Então o anjo veio a mim mais uma vez, e trouxe-me a revelação final:

“E
 Caim viu isso,
E irou-se.
Irou-se contra sua raça por condená-lo com seus pecados.
E assim, ele disse: “Vós sois todos amaldiçoados, como eu fui amaldiçoado por Deus.
Eu tenho visto o futuro, escrito em sangue, quando as noites irão terminar,
E Julgamento chegará.
Não julgamento de Deus, mas meu, e na minha absolvição.
Os sinais serão claros, o mundo se tornará como Gehenna,
O digno será poupado, os demais serão consumidos pela fome dos anciãos,
De meu Primeiro Condenado cujo eu conheci pelo nome.
Vós ireis reconhecer esta época, porquanto mortais irão
Dizimar vossas cidades de ouro e enterrar vossos sonhos
Com cinzas e terra. Um tempo onde as Crianças de Sete
Irão reclamar seu mundo conjurando luz
Nas Trevas, e o Sangue irá enfraquecer, engendrando
Neófitos, impuros na condenação
E penetrar a Parte de Sete.
Saibam esses sinais, pois serão sinal do Fim.”

As palavras sagradas do anjo mostram-nos a verdade. Poderosa Constantinopla, a Cidade do Ouro, foi queimada, e as Crianças de Sete agitam-se contra os monstros que comandam a noite. Olheis em volta e sabeis que toda nossa espécie sabe que esse tempo chegou. Os príncipes e cavaleiros de nossa espécie cavalgam para batalhar como nunca antes, porque eles sabem que a guerra final está chegando. Os conspiradores em cortes através dos domínios tecem planos mais intrincados e assassinos que sempre antes. Com todo momento, o tirânico julgamento final de Caim arrasta-se mais próximo, e todos nós lutamos para provar nossa própria dignidade perante esse olhar.
Questionai-vos, meus irmão e irmãs, sois vós?

Fonte: Dark Ages: Vampire - págs 2 a 8

6 comentários:

rafaell dacena disse...

muito bom muito bom

Tzimisce Shaper disse...

Eu li o material e não vi nenhuma mudança que precise de fato ser feita, na verdade a tradução ficou bem profissional, alguns pequenos detalhes, mas creio que deva mantê-los bem próximos do que estão por uma questão de manter fidelidade na tradução.
Só um trecho que creio que seja um erro, nele fala de Caim sobre ele ter virado as costas pra alguém, e usa o termo ele. Se for referente a Deus, apenas se atentar a fazê-lo maiúsculos.

Eu possuo alguns materiais já traduzidos, disciplinas 20 anos Dark Ages, Misticismo do Abismo, Krainas do material 20 anos da Tal-Mahe-Ra entre outros. Se tiverem interesse, basta me contactar por facebook: Rodolfo Bantim

Clayton Coxapi disse...

Qual a possibilidade dos envolvidos no site fazer um podcast ao estilo que é feito pelo Nação Garou?

Luk Ygnos Maxuel disse...

Olá Clayton

A intenção do Blog não é fazer poscasts, mas quem sabe possa ocorrer num futuro não muito distante...

Abraços

Luk Ygnos Maxuel disse...

Olá Clayton

A intenção do Blog não é fazer poscasts, mas quem sabe possa ocorrer num futuro não muito distante...

Abraços

Clayton Coxapi disse...

Beleza!
O trabalho que já fazem aqui é excelente!
Abraços

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