quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Os Gangrel aquáticos


Inspirado pelo filme Aquaman.
Material oficial? Sim, como sempre!

Os Gangrel das Profundezas.
Não deve ser surpresa que alguns dentre os Gangrel se adaptaram ao que é considerado como “o ambiente mais inóspito da Terra”. Muitas criaturas que habitam as profundezas dos mares são mais estranhas para os olhos mortais do que a maioria dos Membros poderiam ser. Os Gangrel que habitam no mar, contudo, evoluíram (ou regrediram, dependendo do ponto de vista) para entidades que até os Nosferatu, que sabem a respeito deles, consideram monstruosos.

Fisiologia e aparência
Estudiosos da fisiologia dos Membros ainda estão debatendo a validade da classificação dos Gangrel aquáticos como uma linhagem em separado.  A opinião mais comum é a de que os Mariners (*1), forma como chamam a si mesmos, formam um grupo separado do clã Gangrel cuja distância do clã principal é aproximadamente a mesma dos Gangrel urbanos antitribu do Sabá. Os Mariners, ou Gangrel aquarii (no plural: Gangrel aquarius) tal como classificados por estudiosos Tremere, possuem as mesmas disciplinas de seus progenitores de terra firme (O animalismo é igualmente eficiente em todas as criaturas, a despeito do habitat; Fortitude permite a sobrevivência em profundidades que machucariam ou destruiriam um ser menos resiliente) mas apresentam diversas adaptações únicas tanto da disciplina metamorfose e de suas próprias formas.
A característica mais pronunciada dos Mariners é a aquisição rápida de características animais (rápido em relação aos demais Gangrel). Os Gangrel aquarius se distanciam da aparência e socialização humanas devido a seu contato inevitavelmente limitado com os humanos e por causa de sua desagradável semelhança física com as criaturas específicas de seus próprios habitats. Poucos podem passar pela sociedade mortal sem atrair atenção indesejada caso tenham vagado pelos mares por mais do que umas poucas décadas, e aqueles que habitaram as profundezas dos oceanos por décadas frequentemente são confundidos com monstros até mesmo por sua própria progênie. Os Gangrel habitantes dos mares tendem a desenvolver as caraterísticas dos animais com os quais convivem mais frequentemente – dentes serrilhados de tubarões, bocas circulares de lampreia, tentáculos de polvo, bicos ósseos de lulas, pele com escamas e vestígios (desnecessários) de guelras foram todos relatados por vários Membros que tiveram a oportunidade de observar os Mariners. Desnecessário dizer que a aparência destes indivíduos prejudica suas habilidades sociais (em termos de jogo, quaisquer Gangrel aquarius perdem 1 ponto de atributo social a cada 3 características animais que receberem, ao invés de 1 ponto para cada 5 características como os Gangrel normais).

Demografia e pautas
Os Gangrel nunca tiveram um propósito unificador além da própria sobrevivência, e isso também é verdade para os Mariners, que não declaram aliança nem com a Camarilla ou com o Sabá – geralmente são relutantes a declarar aliança a seu próprio clã, preferindo pensar em si mesmos como “indivíduos”. Eles pertencem a um grupo excepcionalmente raro – as melhores estimativas colocam sua população como sendo de 30 ou menos indivíduos em todo o planeta. Contudo, os Gangrel aquarius raramente geram progênie, portanto a maioria possui uma geração relativamente baixa quando comparados com a população de Membros em geral. Os seus abraços nunca são espontâneos ou repentinos; o dom da não-vida só é dado depois de um ano ou mais de observação do Mariner em potencial. Há candidatos de todas as raças e idades; a única qualidade unificadora é um profundo e eterno amor por todos os aspectos do oceano, ao mesmo tempo plácido e assustador, e este julgamento parece ser mais instintivo do que qualquer espécie de política de linhagem. Um oceanógrafo, dois biólogos marinhos, um guarda costas, um mergulhador, oficiais navais e colonos exploradores fazem parte do grupo dos Gangrel aquarius. Poucos destes mantém contato com qualquer aspecto de suas vidas mortais depois do abraço devido à perda rápida de compatibilidade com a humanidade como um todo, e a maioria prefere ter como presa tubarões, baleias e outros mamíferos marinhos ao invés dos humanos (embora um naufrágio ocasional ou uma festa noturna na praia forneçam uma refeição revigorante para um Mariner faminto). Os Rorquais (*2) são uma descoberta deliciosa, pois seu sangue é tão potente como o de qualquer lupino – porém não há uma forma fácil de discernir um Rorqual de um outro cetáceo, e os Mariners aprenderam que os animais imbuídos espiritualmente possuem seus próprios defensores.
Os Gangrel aquarius ainda são capazes de funcionar no mundo da superfície (alguns negociam informações com Nosferatu empreendedores em troca de lições de técnicas básicas de ofuscação. Contudo, preferem ignorar a superfície na maior parte do tempo, lidando com a sociedade mortal apenas se esta afetar seu domínio. Muitos desastres marinhos em potencial foram evitados pela interferência oportuna de um Mariner, a mais recente sendo a quase colisão entre um míssil guiado de uma fragata da marinha real e um petroleiro na costa da Itália ano passado. Deve ser observado que isso não é por causa de preocupação proveniente de moralidade humana da parte dos Mariners; o incidente citado, testemunhado por um Ventrue que estava a bordo da fragata, envolveu a morte brutal de 5 tripulantes que estavam no petroleiro e que tentaram impedir que o Gangrel tomasse o leme do navio. Quando perguntado posteriormente sobre suas motivações a respeito do incidente, o Mariner respondeu, “eu não fiz por você, habitante da superfície, nem por mim mesmo, mas sim por minha Mãe”.
Os Mariners evitam de forma semelhante a sociedade cainita. Embora lhes tenha sido oferecida a possibilidade de se tornarem membros tanto da Camarilla como do Sabá, não se sabe de nenhum Mariner que tenha aderido a alguma desta seitas. Entretanto isso não deve ser considerado como uma questão de lealdade de sangue acima da lealdade organizacional. Os Mariners não parecem ter estrutura formal social própria e quase nenhuma hierarquia informal. Nas raras ocasiões onde dois Mariners se encontram, o respeito é decidido através da idade e experiência. Também não há linhas claras de descendência dentro da linhagem. Um Gangrel pode alegar ser o senhor de qualquer linha de descendência, e não há garantia de que a cria de um Mariner desenvolverá as características aquáticas da linhagem. A herança dos Gangrel aquarius parece ser uma questão de temperamento e preferência pessoal tanto quanto uma característica ligada ao sangue. Os Mariners parecem estar tranquilos quanto a isso, embora não tenham mais contato social com os Gangrel que habitam na superfície do que com qualquer outro clã.
Os Mariners estão igualmente divididos entre indivíduos nômades e sedentários. Os primeiros migram pelos litorais do mundo, vagando por onde as correntes os carregam. Os últimos frequentemente tomam uma parte da costa e centenas de quilômetros quadrados de oceano como seus territórios, e os Membros com ligações com o mar e que estão cientes da presença dos Mariners geralmente mantêm uma distância segura. Áreas conhecidas como território dos membros desta linhagem incluem os portos da cidade de Nova York, Buenos Aires, Odessa, Athenas, bem como a Baía de São Francisco, toda a extensão do Rio Reno, Lago Michigan, parte do Canal inglês, as hidrovias da bacia do Congo e duas partes da Grande Barreira de Corais. O grau de territorialidade demonstrado obviamente varia de indivíduo para indivíduo. Tatiana de Odessa permite a todos os membros passagem livre através de “seu” porto, enquanto o Mariner conhecido como Paul Machete destruiu brutamente pelo menos dois grupos de Membros do Sabá que perseguiam Membros da Camarilla pelo rio. Só há um lugar que é conhecido por ser habitado por mais de um Mariner. O lago Nyasa no sudeste da África abriga um grupo de pelo menos 4 Gangrel aquarius, uma quantidade desconhecida em qualquer outro lugar do mundo. Relatos indicam que eles guardam o lago e seus arredores com brutal eficiência. Até o momento foi impossível determinar o que este grupo protege, se é que protege alguma coisa.

Adaptações
A variação da Disciplina Metamorfose praticada pelos Gangrel aquarius não é exclusiva da linhagem simplesmente por causa da mutabilidade da disciplina. Qualquer Gangrel evidentemente pode adquirir as transformações alternativas conhecidas pelos Mariners, embora algum ensinamento e aptidão sejam necessários. Até o momento, não se conhece nenhum vampiro que não seja da linhagem Gangrel foi capaz de aprender as transformações mostradas mais adiante no texto.
A luz da superfície não chega a grandes profundidades. As criaturas das profundezas vivem sem luz ou produzem luz própria. Até Membros utilizando Olhos da besta encontram dificuldades devido às diferentes propriedades visuais da água e do ar. A maioria dos Mariners descarta uma maior acuidade visual em favor de um método mais confiável de navegação: sonar.
O uso especializado da disciplina Metamorfose 1 da linhagem (que eles chamam de Sentido do Golfinho) permite ao viajante aquático uma limitada forma de sonar natural (ou não natural) que é sensível o suficiente para substituir a visão na maioria das tarefas. Obviamente este poder tem suas limitações: Um vampiro navegando usando o Sentido do Golfinho não pode ler o texto de um livro encontrado num naufrágio, nem pode diferenciar peixes pela cor de suas escamas. Entretanto, a acuidade sensorial que este poder fornece é perfeitamente adequada para a navegação ou combate num raio de cem metros. A partir desta distância os detalhes começam a se perder (dificuldade +1 a cada 50 metros além deste limite em todas as rolagens que dependam do sonar, inclusive rolagens de acerto em combate). Sentido do golfinho só é efetivo debaixo d’água – é inútil na superfície.
Embora seja uma adaptação maravilhosa, o corpo humanoide não é projetado para nadar. Os Gangrel aquarius superam esta limitação com o uso de Phocidae Membranosa (sua versão de metamorfose 2), uma transformação menor que aumenta os dedos e cria uma membrana entre eles. Isto aumenta imensamente a velocidade de natação e de manobras com um custo mínimo de destreza manual (triplique a velocidade padrão de natação quando este poder estiver ativo e anule todas as penalidades para movimento embaixo d’água, mas subtraia 2 pontos da Destreza do personagem quando for tentada qualquer ação que envolva destreza manual ou dedo opositor. A membrana é estranhamente afiada e pode ser usada em combate próximo com efeitos devastadores (Força +2 dados de dano agravado, dificuldade 6 para acertar, sem penalidades na parada de dados para ataque de briga embaixo d’água).
Obviamente, a forma de lobo típica da Forma da Besta é ainda mais inadequada para atividades aquáticas do que a forma humana. Os Mariners que dominaram a disciplina Metamorfose até este ponto, frequentemente adotam a forma de um predador. A forma mais comum é a de um tubarão (+2 em todos os atributos físicos, dano agravado na mordida de força +3 dados, e velocidade de natação quadruplicada), porém formas de barracudas, moréias e até mesmo polvos foram relatadas (a critério do narrador). Do mesmo modo, a forma aérea de um Mariner se afasta do morcego e corvo tradicionais, se aproximando mais de albatrozes e águias marinhas.
Não foram relatadas adaptações de Fusão com a Terra e Forma de Névoa. Evidentemente, Fusão com a terra é suficientemente efetiva para o uso no fundo do mar, já a névoa e neblina são comuns o bastante na superfície do mar para que nenhum comentário seja necessário a respeito do avistamento de tal fenômeno. Indubitavelmente, os anciões Gangrel aquarius desenvolveram poderes que são ainda mais bizarros, mas não há relatos confirmados a respeito.

Perfil representativo
O membro mais conhecido dos Gangrel aquarius é um indivíduo conhecido como Paul Machete (presume-se que Paul adquiriu este apelido por sua escolha de armamento). Como mencionado anteriormente, este Mariner reivindica as águas e os portos da cidade de Nova York como seu domínio e defende seu território de todas as incursões com ciúmes. É permitido um certo espaço a Membros da Camarilla encontrados nadando ou em barcos, na forma de um aviso verbal; membros do Sabá são atacados assim que são avistados. Paul justifica esta dicotomia tendo como base de que é menos provável que membros da Camarilla causem grandes danos a propriedades na área que cerca seu lar.
Ao contrário de muitos Mariners, os hábitos de caça de Paul envolvem humanos ao invés de animais como presa principal. Ele geralmente se alimenta de trabalhadores das docas, vadios, marinheiros e os ocasionais turistas perdidos. Paul também mantém um olhar atencioso a todos o movimento de Membros pelo porto, usando ratos e gaivotas como espiões. Sabe-se que ele compartilha estas informações com Nosferatu locais, mas não se envolve em assuntos cainitas além de uma conversa ocasional. Os poucos indivíduos que investigaram o passado de Paul e as razões por trás de sua escolha única de domínio, tiveram pouco sucesso. Porém, acredita-se amplamente que Paul era alguma espécie de Marinheiro ou oficial naval em sua vida mortal e que foi abraçado nas proximidades de Nova York.
Paul machete ainda pode passar-se por humano, embora um bem desagradável. Ele passa a maior parte de suas noites vagando pelas docas, alternativamente espreitando nas margens e embaixo d’água, portando exala sempre cheiro de óleo, esgoto e outras substâncias nojentas. Ele geralmente se veste com macacões cobertos de graxa e um boné do time de baseball de Nova York. Seus olhos são de tom cinza morto, tais como os de um tubarão, e sua pele está se tornando escamosa em algumas partes. Nas raras ocasiões que encontrou um inimigo superior, Paul foi visto assumindo a forma de uma grande moréia e desaparecendo na água.

Blood Dimmed Tides págs 34 a 36

(*1) Termo original mantido
(*2) Rorqual é um termo usado pelo Rokea para designar um golfinho ou baleia a serviço do mar, chegando a fornecer Gnose ao Rokea. Para quem não sabe, Rokea são os metamorfos tubarão.

2 comentários:

Felipe Freitas disse...

Muito bom !!

henrique disse...

Gangreis marinhos sempre são sombrios.

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